Nos últimos dias, o tema do desaparecimento de crianças voltou a ganhar destaque nas redes sociais. E não é por acaso.
O desaparecimento de um filho é uma das situações mais angustiantes que uma família pode enfrentar e, infelizmente, não é um problema distante da realidade brasileira.
Dados oficiais mostram que milhares de crianças e adolescentes desaparecem todos os anos no país.
Embora muitos casos estejam relacionados a conflitos familiares, fugas ou desorganização na rede de proteção, cada desaparecimento precisa ser tratado como urgente, até prova em contrário.
Do ponto de vista do Direito de Família, é importante entender que o desaparecimento de uma criança não é apenas um drama emocional: é também uma questão jurídica e social.
A família tem o dever de comunicar imediatamente às autoridades, não sendo necessário aguardar 24 horas para registrar ocorrência.
Quanto mais cedo a busca começa, maiores são as chances de localização.
Além disso, o desaparecimento pode estar ligado a situações de:
– negligência,
– abandono,
– disputas de guarda,
– violência doméstica,
– ou ausência de rede de apoio.
Por isso, a prevenção é tão importante quanto a repressão.
Ensinar a criança a não ir com desconhecidos, a identificar pessoas de referência e a pedir ajuda a autoridades é uma forma concreta de proteção.
Mas também é fundamental que os adultos estejam atentos ao ambiente, à rotina e às mudanças de comportamento.
O combate ao desaparecimento infantil não depende apenas da polícia.
Depende de políticas públicas, de escolas atentas, de famílias orientadas e de uma sociedade que compreenda que proteger crianças é uma responsabilidade coletiva.
Direito de Família não trata apenas de separações e pensões.
Trata, acima de tudo, da proteção da infância e da dignidade humana.
Falar sobre isso é um ato de cuidado.
Informar é uma forma de prevenir.
E prevenir é, sempre, a melhor forma de proteger.
Por Índira Contreira – Advogada – Colunista

