A recente movimentação na Câmara Municipal de Macaé está longe de representar uma simples substituição de cadeira. O episódio revela o funcionamento de uma engrenagem política afinada, onde decisões aparentemente protocolares escondem uma estratégia clara de manutenção de poder e acomodação de interesses.
A vaga aberta com a ida do vereador Ricardo Salgado (MDB) para a Secretaria de Meio Ambiente desencadeou um roteiro previsível: convocações sucessivas de suplentes que, por conveniência política, optam por não assumir o mandato. O primeiro suplente, Petterson da Master, o segundo suplente Julinho Antunes e o terceiro, Felipe Barreto, abriram caminho até que a vaga chegasse ao quarto suplente, Leones Almeida da Silva, convocado na última sexta-feira (10) e com posse prevista para o dia 13.
O que à primeira vista pode parecer uma sequência burocrática, revela na prática, uma coreografia política bem ensaiada. Não se trata de acaso ou desistência isolada — mas de um movimento coordenado que permite manter aliados em posições estratégicas, seja dentro do Legislativo, seja acomodados em cargos no Executivo. Deixando claro a falta de compromisso com os eleitores em nome do jogo político.
Ao analisar o cenário, fica evidente que não há ruptura, renovação ou qualquer mudança significativa na condução política do município. O que ocorre é uma simples troca de peças dentro de um mesmo grupo, preservando o alinhamento e garantindo a continuidade de interesses já estabelecidos.
A entrada de Leones Almeida, policial militar de carreira, não altera o eixo de poder nem representa, até o momento, uma inflexão política. Sua chegada simboliza mais a ocupação de um espaço previamente desenhado do que uma mudança de direção. E com sua nomeação passará para a reserva da Polícia Militar.
Esse tipo de articulação reforça uma prática comum em diversos parlamentos municipais: suplências transformadas em moeda política, cargos utilizados como ferramenta de acomodação e mandatos tratados como extensão de acordos internos.
Em resumo, a “dança de cadeiras” em Macaé não passa de um ajuste fino dentro de um sistema que tem funcionado. O que muda? Muda-se o nome, muda-se a equipe do gabinete — mas o jogo político segue intacto, previsível e, sobretudo, controlado.
Por Marcos Soares – Jornalista – Analista Político


