O Supremo Tribunal Federal chegou a um momento em que não basta apenas decidir processos. É preciso recuperar a confiança de uma parcela significativa da sociedade.As revelações envolvendo mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro colocaram a Corte diante de uma situação extremamente delicada. Não se trata, neste momento, de afirmar culpa ou inocência. Trata-se de reconhecer que existe uma crise institucional que precisa ser enfrentada com transparência e responsabilidade.Na próxima terça-feira, dia 15, o Plenário do STF deverá analisar o caso envolvendo as mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. A decisão poderá abrir investigação ou rejeitar as medidas propostas. �Poder360 +1Mas existe uma pergunta que vai além do processo:Como recuperar a credibilidade do Supremo diante de uma crise que envolve um de seus próprios ministros?É nesse ponto que a renúncia de Alexandre de Moraes precisa ser discutida.Renunciar não significaria reconhecer culpa. Seria uma decisão política e institucional de quem compreende que, quando a permanência de uma autoridade passa a provocar uma crise de confiança tão profunda, a preservação da instituição pode estar acima da permanência individual no cargo.O Supremo não pode ser visto pela sociedade como uma instituição permanentemente envolvida em disputas internas, decisões conflitantes e questionamentos sobre seus próprios integrantes.Nos últimos dias, a crise se ampliou. Houve decisões envolvendo o comando da Polícia Federal, manifestações de diferentes ministros e necessidade de intervenção do presidente da Corte, Edson Fachin, diante de decisões conflitantes. �Folha de S.Paulo +1E esse talvez seja o ponto central: o Brasil precisa de um Supremo forte, respeitado e acima de qualquer ministro individualmente.Moraes pode ter seus argumentos, suas explicações e o direito à ampla defesa. O processo deve seguir seu caminho. Mas também é legítimo que a sociedade discuta se sua permanência é capaz de contribuir para reconstruir a confiança na Corte.A renúncia poderia encerrar uma parte importante dessa crise sem transformar o Supremo em palco permanente de uma disputa sobre a conduta de um de seus ministros.Seria um gesto de grandeza institucional.Porque ministros passam. O Supremo fica.E, neste momento, talvez a pergunta mais importante não seja quem vencerá essa disputa interna, mas quem estará disposto a colocar a instituição acima de si mesmo.Se Alexandre de Moraes decidir renunciar, poderá transformar uma crise pessoal e institucional em uma oportunidade para o Supremo reconstruir sua credibilidade diante do país.Às vezes, permanecer no cargo é resistir.Às vezes, sair é preservar a instituição.E essa é uma decisão que, mais cedo ou mais tarde, o Brasil terá de discutir.
Por Nildo Junior Jornalista e apresentador do vias de fato em rede nacional.