Investigação aponta inconsistências em relato de suposta vítima de violência doméstica

gazetafluminense
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Uma ocorrência inicialmente registrada como violência doméstica mobilizou a Patrulha Maria da Penha na madrugada desta quarta-feira (8), mas passou a ser reavaliada pela Polícia Civil após a comunicante admitir versões contraditórias sobre os fatos.

O caso teve início por volta das 5h30, quando A. N. C. acionou a guarnição informando ter sido agredida pelo companheiro, G. P. A., em uma residência da cidade. Segundo o primeiro relato, ela teria levado socos no rosto e tido a boca tapada com uma camisa para impedir pedidos de socorro. No local, agentes constataram inchaço no rosto da comunicante e encontraram o companheiro dormindo, sem oferecer resistência à abordagem.

A mulher foi encaminhada ao hospital, onde foram registrados edema facial e uma pequena escoriação no pescoço. Diante das informações iniciais, o caso foi apresentado ao delegado Dr. Ruchester Marreiros titular da 130ª DP em Quissamã (Norte Fluminense do RJ) e registrado como lesão corporal no contexto da Lei Maria da Penha.

Entretanto, ao longo do dia, novas oitivas e diligências revelaram inconsistências relevantes. Em depoimento posterior, prestado na tarde do mesmo dia, A. N. C. admitiu ter apresentado “duas versões” dos fatos. Questionada sobre a origem de uma lesão no lábio, declarou aos investigadores: “se eu falar a verdade, vou ser presa”.

Na sequência, a comunicante passou a relatar que ela própria teria iniciado a agressão, desferindo tapas contra o companheiro após uma discussão motivada por ciúmes. Segundo essa nova versão, G. P. A. apenas levantou os braços para se defender, momento em que teria ocorrido um contato acidental que resultou na lesão em seu rosto.

O depoimento do homem, prestado na presença de advogado, foi considerado compatível com o cenário encontrado no local, onde policiais registraram sinais de tumulto na cozinha, como comida espalhada pelo chão e móveis fora do lugar. Ele afirmou ter sido agredido e que apenas reagiu de forma defensiva antes de ir dormir.

Diante do conjunto de provas, incluindo fotografias do local e a admissão expressa de versões conflitantes pela comunicante, a autoridade policial avaliou que não havia elementos suficientes para sustentar, em cognição sumária, a imputação inicial de agressão dolosa reiterada por parte do companheiro.

A investigação também levou em conta o histórico de A. N. C., que já figura como investigada em outro inquérito policial por suspeita de falso testemunho.

O caso segue sob análise da Polícia Civil, que agora apura a real dinâmica dos fatos e eventual responsabilização por comunicação falsa de crime.