A campanha política que antecede o dia das eleições é de suma importância para os eleitores, pois, por meio das propostas dos candidatos e de seus planos de governo, podemos optar por aquele cujos projetos mais se alinham às nossas convicções.Por essa razão, defendo maior transparência e um combate efetivo às fake news — informações falsas que viralizam com facilidade e induzem a erro os cidadãos na escolha de seus representantes.Tenho sido um crítico contumaz das promessas feitas nas campanhas anteriores do atual Presidente da República, as quais, por não terem sido cumpridas, transformaram-se em falácias. A estratégia de disseminação de narrativas distorcidas parece continuar como método do candidato Lula e de seus aliados.Destaco algumas delas:• Meio ambiente: Lula pregou — e ainda prega — preocupação com a pauta ecológica, tendo capitaneado campanhas como a “Salve a Amazônia”, com apoio de artistas. No entanto, recordes de queimadas foram registrados em sua atual gestão. Segundo o Relatório Anual do Fogo (RAF), do MapBiomas, a Amazônia atingiu, em 2024, a maior área queimada desde 1985.• Defesa das mulheres: O mandatário frequentemente acusa seus adversários de desdém pela causa feminina, mas subiu ao palanque com o deputado André Janones — acusado pela ex-companheira de ameaçar divulgar fotos íntimas dela, caso em que a Justiça concedeu medida protetiva. Além disso, seu próprio filho enfrentou denúncias de violência psicológica contra a ex-parceira, e o ex-ministro dos Direitos Humanos de sua gestão foi alvo de denúncias de assédio e importunação sexual. Diante desses episódios, o Presidente optou pelo silêncio.• Economia: Lula insiste no discurso de responsabilidade fiscal e zelo econômico. Todavia, projeções de mercado apontam que seu mandato caminha para registrar um déficit nominal médio próximo a 8,6% do PIB — o patamar mais elevado entre os governos federais das últimas duas décadas, superando os índices das gestões de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.Esses fatos contradizem frontalmente as promessas de palanque.Outro ponto grave diz respeito ao Supremo Tribunal Federal. Quando em campanha, Lula assegurava que não indicaria nomes com base em relações pessoais ou políticas. Contudo, nomeou Flávio Dino, então ministro e aliado político ativo; Cristiano Zanin, seu advogado pessoal de longa data; e, em mandatos anteriores, Dias Toffoli, ex-advogado de seu partido.O problema das indicações pautadas por afinidade pessoal e alinhamento político é a contaminação ideológica da mais alta Corte do país, outrora uma das instituições mais respeitadas da República e hoje vista com ceticismo por expressiva parcela dos brasileiros. O chefe do Executivo poderá indicar novos nomes ao colegiado e, se a prática persistir, o desgaste institucional se aprofundará.As decisões da Suprema Corte devem estrita submissão à Constituição e à legislação em vigor, sem espaço para acomodações ideológicas ou busca por complacência do Executivo e/ou parcela da sociedade. O ativismo judicial progressivo invade prerrogativas dos demais Poderes, violando o princípio dos freios e contrapesos.Essa postura culminou na condução dos chamados “inquéritos do fim do mundo”, com medidas que tangenciam a censura — prática vedada expressamente pela Carta Magna. Mediante interpretações extensivas e malabarismos regimentais, a Corte assumiu competências atípicas para julgar e condenar manifestantes do 08 de janeiro, autoridades e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, promovendo alterações abruptas de rito e de entendimentos jurisprudenciais consolidados.O risco de afastar a literalidade do Direito para atender a pressões conjunturais não é inédito. A história universal registra episódio emblemático ocorrido há mais de dois milênios, quando Pilatos, investido na função de julgador, ignorando as normas e as evidências materiais para satisfazer a turba que protestava, lavou as mãos e exclamou: “Estou inocente do sangue deste justo; a responsabilidade é vossa.” Assim, crucificou Jesus Cristo e libertou-se Barrabás.Por tudo isso, apelo democraticamente à reflexão de cada eleitor — em especial daqueles ainda indecisos — para que analisem os fatos com rigor e façam sua escolha de forma consciente.Tenho dito!