O setor de combustíveis brasileiro entrou em estado de atenção após alerta da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) sobre a redução dos estoques de diesel no país. Segundo a entidade, o volume atualmente disponível garantiria abastecimento por cerca de 15 dias, caso o ritmo de reposição não seja normalizado.
De acordo com a Abicom, importadores privados suspenderam temporariamente as compras externas devido à defasagem entre os preços praticados no Brasil e as cotações internacionais. A diferença, segundo a entidade, chegou a até 85%, tornando economicamente inviável trazer o combustível do exterior.
No Brasil, as importações representam entre 25% e 30% do consumo nacional de diesel, percentual considerado estratégico para complementar a produção doméstica.
A pressão sobre os preços ocorre em meio à valorização do petróleo no mercado internacional. O barril superou a marca de US$ 100 após o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevando os custos de importação.
Agronegócio manifesta preocupação
Entidades do agronegócio demonstram preocupação com os impactos de uma eventual restrição de oferta, especialmente em regiões dependentes do transporte rodoviário para escoamento da produção.
A Aprosoja Brasil alertou que o momento coincide com períodos críticos de colheita e plantio, o que aumenta a sensibilidade do setor a qualquer instabilidade no fornecimento de diesel.
Segundo produtores, regiões do Sul e do Nordeste já relataram dificuldades pontuais para aquisição do combustível.
Petrobras limita vendas extras
Diante da pressão sobre os estoques, a Petrobras passou a adotar medidas operacionais para administrar a distribuição. Uma delas é o sistema conhecido como “cota-dia”, que limita volumes adicionais de venda para evitar corridas por abastecimento.
A estratégia busca preservar o equilíbrio logístico enquanto a empresa avalia a evolução do mercado internacional e eventuais ajustes de preços.
ANP diz que não há falta generalizada
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que acompanha a situação e afirmou que não há, até o momento, falta física generalizada de diesel no país.
No Rio Grande do Sul, onde surgiram os primeiros relatos de dificuldades por parte de produtores rurais, fiscais da agência realizaram verificações e identificaram estoques considerados regulares. A refinaria Refap também segue operando normalmente, segundo a agência.
A ANP informou ainda que investiga possíveis aumentos abusivos de preços em alguns pontos de venda.
Situação depende de reajuste
Analistas do setor avaliam que o cenário é volátil e depende principalmente de um eventual reajuste nos preços internos pela Petrobras, o que poderia tornar novamente viáveis as importações privadas.
Caso a paralisação das compras externas se prolongue, especialistas alertam que o risco de desabastecimento localizado pode aumentar nas próximas semanas, especialmente em regiões mais dependentes de logística rodoviária e do consumo agrícola.






