General do Exército alerta para avanço do crime organizado e aponta Brasil como rota estratégica do tráfico internacional

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O comandante do Centro de Inteligência do Exército (CIE), general Carlos Eduardo Barbosa da Costa, fez um alerta contundente sobre o cenário da segurança pública no país ao apresentar, em Brasília, uma análise sobre a atuação das organizações criminosas e os desafios enfrentados pelo Estado brasileiro no combate ao crime organizado.

Durante a exposição, o oficial afirmou que o Brasil ocupa atualmente uma posição estratégica nas cadeias internacionais do narcotráfico, funcionando como um importante corredor logístico para o escoamento de drogas destinadas tanto ao mercado interno quanto ao exterior. Segundo o general, a movimentação financeira gerada pelas atividades criminosas alcança cifras bilionárias todos os anos.

De acordo com a avaliação apresentada, o consumo interno de entorpecentes movimenta aproximadamente R$ 30 bilhões anuais. Quando somados os recursos provenientes da exportação de cocaína para outros países, esse volume pode atingir cerca de R$ 80 bilhões por ano, demonstrando o elevado poder econômico das organizações criminosas.

Fronteiras favorecem expansão do tráfico

O general destacou que a posição geográfica do Brasil amplia os desafios para as forças de segurança. O país faz fronteira com Colômbia, Peru e Bolívia — principais produtores mundiais de cocaína — além do Paraguai, apontado como um dos maiores fornecedores de maconha da região.

Segundo o comandante do CIE, a extensa faixa de fronteira é marcada por rotas clandestinas utilizadas para o transporte de drogas, armas e mercadorias ilegais. Áreas de difícil fiscalização, pistas de pouso improvisadas, rios navegáveis e regiões com reduzida presença do Estado acabam sendo exploradas pelas organizações criminosas para ampliar suas operações.

Facções brasileiras ampliam conexões internacionais

O relatório também aponta que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) consolidaram alianças com grupos criminosos estrangeiros, estabelecendo uma rede de cooperação voltada à produção, transporte e distribuição internacional de drogas.

Entre as organizações citadas está o Tren de Aragua, grupo criminoso originário da Venezuela que, segundo informações apresentadas pelo CIE, vem expandindo sua atuação em diversos países da América Latina, incluindo regiões do território brasileiro.

Para o comandante, essas organizações atuam com estrutura semelhante à de grandes corporações criminosas, dividindo funções, controlando territórios estratégicos, administrando cadeias de distribuição e utilizando corredores logísticos que conectam fronteiras, centros urbanos, portos e aeroportos.

Inteligência e integração são prioridades

O general defendeu o fortalecimento das ações de inteligência e da cooperação entre as forças de segurança como instrumentos fundamentais para enfrentar a expansão dessas organizações. Segundo ele, o combate ao crime organizado exige integração entre instituições, investimentos em tecnologia, monitoramento permanente das fronteiras e atuação coordenada entre os órgãos responsáveis pela segurança pública.

A apresentação reforça a preocupação das autoridades com o crescimento das redes criminosas transnacionais e evidencia os desafios enfrentados pelo Brasil diante da sofisticação das organizações que atuam no tráfico internacional de drogas e em outros crimes de alcance global.