A Prefeitura do Rio anunciou com pompa a criação de uma divisão de elite armada da Guarda Municipal (GM-Rio), adquiriu 1,5 mil pistolas Glock e realizou cerimônia oficial de entrega do armamento. No entanto, apesar da estrutura pronta e do efetivo treinado, a tropa segue impedida de atuar armada nas ruas.
A Polícia Federal barrou a concessão do porte de arma institucional para o grupo. O motivo é jurídico: parte do efetivo é composta por agentes temporários, o que, segundo entendimento da PF, inviabiliza a autorização legal para o porte funcional nas condições atuais.
Com isso, as armas permanecem guardadas nos cofres, e a operação da nova divisão está suspensa até que a situação seja regularizada.
A legislação federal que regula o porte de arma para guardas municipais estabelece critérios específicos, incluindo vínculo efetivo e estabilidade funcional. A presença de agentes temporários no grupo gerou questionamentos sobre o cumprimento dessas exigências.
Diante da negativa, a Prefeitura tenta duas frentes: recorrer da decisão em Brasília ou promover ajustes no modelo da tropa, possivelmente alterando a composição do efetivo para atender às exigências legais.
Enquanto isso, entidades da sociedade civil e associações acompanham o caso e questionam a legalidade do projeto na Justiça. O tema também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que solicitou esclarecimentos sobre a estrutura e os critérios adotados na formação da unidade armada.
A criação de uma força armada dentro da Guarda Municipal reacende o debate sobre o papel das guardas no sistema de segurança pública. Defensores da medida argumentam que o reforço é necessário diante do aumento da criminalidade e da sobrecarga das polícias estaduais. Críticos, por outro lado, apontam risco de desvio de função e possível inconstitucionalidade, dependendo do formato adotado.
Por ora, o cenário é de incerteza: armamento adquirido, agentes treinados — mas atuação suspensa até nova decisão.
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