Divórcio não é falta de fé. É fidelidade à própria dignidade.

gazetafluminense
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E agora, Doutora?

Divórcio não é falta de fé. É fidelidade à própria dignidade.

Ao longo deste ano, ouvi a mesma frase se repetir inúmeras vezes no meu escritório, nas mensagens, nas consultas silenciosas cheias de dor:

“Dra. Adriana, eu tenho medo de me divorciar porque sou cristã.”

É preciso dizer com clareza e dizer na lata:

Você não é menos cristã por não aceitar viver humilhada.
Você não é menos sábia por não tolerar traições, grosserias, desprezo, controle emocional ou violência disfarçada de autoridade espiritual.

O divórcio, quando necessário, não é falta de fé.     É coragem.
É lucidez.
É sair de um lugar onde sua paz foi quebrada, sua saúde emocional foi adoecida e sua dignidade foi violada.

A ALIANÇA NÃO SE ROMPE NO PAPEL. ELA SE ROMPE NA PRÁTICA.

Do ponto de vista jurídico, o casamento é um contrato com deveres claros:
respeito, lealdade, assistência moral e material, proteção recíproca.

Quando há humilhação constante, traição, abandono emocional, violência psicológica ou controle, há violação grave dos deveres conjugais.
              E isso importa, sim, para o Direito.

Mas antes de qualquer lei, importa para a vida.

A aliança não é rompida por quem decide sair.
            Ela é rompida por quem destruiu aquilo que deveria proteger.

Ninguém quebra um casamento ao pedir o divórcio.
O casamento já foi quebrado quando a paz deixou de existir.

SUBMISSÃO NÃO É ABUSO. FÉ NÃO É SILÊNCIO IMPOSTO.

É preciso separar fé de manipulação.

– Submissão não é aceitar abuso disfarçado de religiosidade.
– Obediência não é se calar enquanto sua alma é esmagada.
– Casamento não é cárcere emocional.
–  Deus não chama mulheres para o sofrimento contínuo como prova espiritual.

Nenhuma passagem bíblica autoriza humilhação, medo, chantagem emocional ou violência psicológica.
            Isso não é fé. É controle.

PERDOAR NÃO SIGNIFICA VOLTAR

Aqui está outra confusão cruel imposta às mulheres:
“Se você perdoou, tem que voltar.”

Não.
Perdoar é libertar o coração do rancor.
Perdoar não é se colocar novamente no mesmo lugar de dor.
Perdoar não é conviver com quem usou o amor — ou a Bíblia — como instrumento de dominação.

O Direito reconhece isso.
A Justiça reconhece isso.
E você pode e deve  reconhecer isso também.

ENCERRAR UM CICLO TAMBÉM É UM ATO DE FÉ

Encerrar um casamento adoecido não é desistir de Deus.
É confiar que Ele não te quer pequena, ferida ou anulada.

Muitas mulheres chegam até mim no final do ano carregando culpa, medo e uma sensação profunda de fracasso.
Eu digo com convicção profissional e humana:

    – Fracasso é permanecer onde sua identidade está sendo destruída.
     – Coragem é escolher a paz.
      – Fé também é ação.

Se você é mulher cristã e deseja se divorciar, entenda algo essencial:
você não rompeu a aliança.
Quem rompeu foi quem violou os votos muito antes de você ter forças para sair.

Que este fim de ano seja menos sobre culpa e mais sobre clareza.
Menos sobre aparência e mais sobre verdade.
Menos sobre o que esperam de você e mais sobre o que você precisa para viver com dignidade.

O divórcio não é o fim.
Para muitas mulheres, é o começo da paz.

Quer saber mais? Me acompanhe em minhas redes sociais – advogada especialista em divórcio para mulheres — pra continuar aprendendo seus direitos com segurança:

ADRIANA DE ANDRADE RAMOS BORRACHINI
Graduada pela Universidade Nove de Julho/SP
Especialista em Divórcio, Guarda e Pensão Alimentícia

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