O Brasil Acordou com Bolsonaro Preso — e Moraes de Novo no Centro da Polêmica

gazetafluminense
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BRASILIA, BRAZIL - NOVEMBER 11: Brazilian President Jair Bolsonaro speaks during the Presentation of Food Donation Program at Planalto Palace on November 11, 2021 in Brasilia, Brazil. The program Comida no Prato aims to connect companies who want to donate food with institutions that are able to receive them for distribution to those in need. The levels of poverty and hunger grew in Brazil in 2020 and 2021, fueled by the effects of the pandemic. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
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A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada de madrugada neste sábado (22), reacendeu debates intensos sobre proporcionalidade, arbitrariedade judicial e o crescente protagonismo — para muitos, exagerado — do ministro Alexandre de Moraes no cenário político-judicial do país.

De acordo com informações da própria polícia, a detenção relâmpago de Bolsonaro ocorreu em razão da vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para a porta do condomínio onde o ex-presidente vive. A alegação oficial afirma que a concentração de pessoas poderia “dificultar o cumprimento da ordem de prisão” ao final do processo sobre a suposta trama golpista.

No entanto, críticos apontam que o argumento revela mais uma ação desproporcional e politicamente carregada, reforçando a impressão de que Moraes opera acima do equilíbrio democrático e com poder quase absoluto sobre eventos políticos do país.

A PRISÃO PREVENTIVA E O CONTEXTO POLÍTICO

A justificativa apresentada — evitar aglomeração — não convenceu parte relevante da sociedade, que vê na medida o avanço de um Judiciário cada vez mais intervencionista. Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses por liderar uma tentativa de golpe de Estado, mas a prisão preventiva deste sábado não se refere ao início do cumprimento da pena, que ainda depende do julgamento dos últimos recursos.

A decisão decorre, mais uma vez, de medidas impostas por Moraes, que já havia determinado prisão domiciliar ao ex-presidente por supostos descumprimentos de regras restritivas. Para apoiadores de Bolsonaro, trata-se de uma escalada de ações destinadas a neutralizar politicamente o ex-presidente e silenciar sua base.

FLÁVIO BOLSONARO CHAMA O POVO PARA VIGÍLIA

A vigília convocada por Flávio Bolsonaro nas redes sociais pedia orações, união e firmeza. Com referências bíblicas, o senador conclamou a população a “lutar pelo país” e pediu que Deus aplicasse sua Justiça. A mobilização mostrava que, mesmo após sucessivas investidas judiciais, o ex-presidente mantém apoio popular significativo.

“Você vai lutar pelo seu país ou assistir tudo aí do celular, da sua casa? Eu te convido a lutar com a gente”, escreveu Flávio, destacando o clima de resistência crescente em torno das decisões do STF.

REAÇÕES E CRÍTICAS À POSTURA DE ALEXANDRE DE MORAES

Mais uma vez, o centro da polêmica é Alexandre de Moraes. Para muitos brasileiros — juristas, parlamentares e cidadãos —, suas decisões ultrapassam o campo técnico e avançam perigosamente sobre liberdades individuais, desrespeitando princípios fundamentais como presunção de inocência e equilíbrio entre os poderes.

A prisão de madrugada, baseada em uma vigília pacífica convocada nas redes sociais, foi vista como mais um capítulo da escalada de excessos atribuídos ao ministro.

Críticos afirmam que o país vive um período em que questionar decisões judiciais se tornou quase tabu, e que esse ambiente mina a confiança na Justiça e alimenta percepções de perseguição política.

BOLSONARO CONTINUA SENDO UM SÍMBOLO PARA MILHÕES

Apesar da pressão institucional, Bolsonaro segue sendo uma das figuras políticas mais influentes do país. Sua condução à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, na madrugada, gerou comoção e despertou nova onda de solidariedade.

Para sua base, a prisão demonstra o medo que parte das instituições tem da força popular que o ex-presidente ainda representa.

Enquanto o STF mantém suas ações, cresce também o questionamento sobre os limites do poder de Moraes — e sobre até quando o país aceitará decisões que, para milhões, têm cheiro de perseguição, excesso e desequilíbrio.